quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Fantasma da Meia Noite, Sombra do Meio Dia. - Parte II – Seis da tarde e meia noite.


Primeiro o relógio bateu ás seis, e eles aparecem apenas com aquelas lembranças gasta para que eu sinta saudade ou tenha alguma fé e esperança.
Todos os dias, assim que o sol se punha, eles soltavam esses filhotes de alguma coisa que aconteceu para que eu os alimentasse e eles tivessem o que comer á noite - mas eu já não tinha nem crença e nem vontade.
Então bateu a meia noite, e eu já estava na cama, vazio e cansado.
- Você tem que querer alguma coisa. – Eles disseram.
Eu disse “Eu não quero nada”.
- Então nós já ganhamos. – Eles disseram.
- Que seja. – Eu disse não me importando. - Passem fome, seus estúpidos, não há mais nada para vocês comerem hoje. – Então eu sentia que havia ganhado.
Então passava um tempo, e eles não se conformavam.
- E você não espera nada? Não crê em nada? – E todos ficaram sem suas respostas.

Os sentimentos vagos eles também comem. A espera desacreditada, a vontade vazia, as quimeras noturnas e as fantasias cientemente desconexas com a realidade – Mas isso deve ter um gosto insosso porque por vezes eles não comem, e sozinhas elas somem.

Eu fechei os olhos e fiquei com o vazio, e o vazio não é como o vácuo. O vazio é vazio e não precisa de nada e não tem nada arrancado.

“Tudo o que você crê eles corroem, tudo o que você possa sentir eles comem, tudo o que você possa querer eles devoram sem a mínima pressa.” E em mim já era tudo em escombros.

Eles são seus medos, suas frustrações, são suas experiências sobre o engano. São seus traumas mais sombrios e suas vergonhas, suas tolices e seus fracassos. São a corrupção da alvorada – São as mentiras que o mundo tem contado e seus enganos subsequentes por ter acreditado, são o individualismo do mundo e sua arrogância.
Qualquer sentimento bom eles comem: Esperança, crença, alegria, vontade, confiança... E enquanto eles devoram sua esperança e arrancam de você a confiança, dissolvem sua alegria para tomá-la como água junto com sua vontade. E enquanto eles dissecam seus pensamentos com percepções distorcidas e sangram teus sonhos com as mentiras e os fracassos passados, o que você sente é dor, uma profunda e insolúvel dor, crônica e aguda - mas ela vai embora assim que eles terminam o banquete e os sentimentos somem, e você se sente aliviado, agradecido por não sentir nada.

Vítima da própria fantasia; Dia após dia, assim que o relógio batia às seis com aquele céu marfim antes de escurecer, eu tinha um pouco de alegria e eles traziam lembranças, e com essa mistura eu sentia saudade.
Então algumas lembranças da alegria que eu senti um dia antes de ontem, misturadas a espera e a forma que o tempo passa, mais um pouco de crença e meia dose de otimismo e outra de esperança compunha uma crença obscura de algo que era apenas a mesma lembrança.
Dia após dia, alimentando as fantasias que o tolo guarda com anseio junto ás visões desesperadas até se tornarem uma mentira, ou um engano suficientemente grande para a meia noite.

Então eles voltavam às doze, e o relógio batia forte, muito forte. Repetidamente como se gritasse ele batia. Á meia noite tudo o que você crê eles corroem, tudo o que você possa sentir eles comem, tudo o que você possa querer eles devoram sem a mínima pressa, e você não pode proteger uma mentira/verdade tão grande da fúria deles - mas não mais, porque eu não tenho nada que eles possam comer agora. E eu me sinto grato por não sentir e poder passar por mais uma noite tranquila.

Um comentário:

  1. Eles anseiam, eles esperam, por mais que eles não se alimentem, eles esperam ali, sempre no mesmo horário, no mesmo local. Não é fome que sentem porque fome mata e eles não morrem. E eles sabem que uma hora vc ira alimentá-los de alguma forma...

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