domingo, 31 de janeiro de 2016

Espelho do Anjo – Floresta das chamas.


 


 

Parecia que tocaria uma música

Quando começou a chover

Trovejando.

- Mas nenhum raio.

 

Eu estava entrando na Floresta

Floresta chamada

“Espelho dos Anjos”.

 

Vozes me perseguiram

Quando entrei

Imediatamente

Quando entrei

Meu caminhar

Era uma corrida

Antes de eu perceber.

 

Um hino

Dos céus

Os sons

Do inferno

Correndo atrás de mim

Sob o céu escuro

E galhos folhados

Chovendo suas folhas

Como um outono amaldiçoado

 

Havia uma clareira

No meio de tudo

Com espelhos

Por todos os lados.

 

Havia um reflexo

Em cada um dos espelhos

Como se espelhassem

Outra realidade

Diferente da sombra

Onde eu estava

Enevoada;

 

- Espelho dos Anjos

Floresta das trevas.

 

Havia um Anjo

Voando sob o céu

Cor de púrpuro;

- E atrás tudo era escuro.

Havia um Anjo

Sentado sob um céu

Rosado de nuvens brancas;

Havia um Anjo

Sentado sobre uma colina

Verde resplandecente;

Havia um Anjo

Deitado sobre a grama

Verde aconchegante;

Então, eu olhava à volta

E não havia nada

Além de reflexos falsos

Tão reais que me faziam querer

Pular em sua imagem

Para sair do lugar

Negro e indecifrável

Escondido nas travas

Que aquela floresta

Abrigava.

 

Então, atrás de mim

Havia um espelho

Em chamas;

Refletia um céu

Azul bebe

Celestial

Com suas luzes

Douradas;

 

Dizem

“O espelho do Anjo

Renegado”,

Estava em chamas

Sem um anjo

Em sua imagem.

 

E todo aquele branco

Aquela luz

Em chamas

Queimando.

 

E nenhuma chuva

Poderia fazê-lo parar

De queimar

E nenhuma treva

Poderia fazê-lo

Parar de arder.

 

Havia espelhos

Com imagens de Anjos

De diferentes formas

Refletindo outra face

Daquela floresta

Assustadora

Enevoada

À nevoa da treva.

 

E no espelho mais lindo

Não havia um Anjo

E ele estava queimando.


Alexandre Vieira

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Fantasmas da Meia Noite, Sombras do Meio Dia - Parte III – Seis da manhã e meio dia.

A chave não é dia ou noite. A chave de tudo é sombra, luz, e intensidade. São três chaves, três portas. Dia ou noite não importa.

Às seis da manhã eu lembro pouco. Poucos dias eu estive acordado á essa hora, mas eu sei que é esse o momento que há um renovo. Alguma esperança ou possibilidade surge à essa hora, e os fantasmas só conseguem falar presos á sombra – E embora a sombra ainda seja grande á essa hora, ela é quase esquecida, diminuída; menos doída.
Ás seis da manhã o dia começa estar claro. Eu vejo aquele olhar vindo em minha direção, me pergunto o que seria, e mesmo que os fantasmas não possam me tocar, eles podem sugar, e podem comer direto das minhas entranhas se eu deixar, se eu for fraco e permitir, mas só tendem a ficar mais limitados com o passar das horas... Isto é: Se o relógio correr para frente, e não para trás fazendo noite instantaneamente. No mais, só podem falar, presos á sombra.
Enquanto as horas passam, ela está ali me olhando á distância, com um jeito possível de ser alcançada, mas a sombra ainda está grande para eu chegar perto – “O que eu posso falar sem me tornar ridículo?”, “Eu não tenho nada para falar com ela”, Eu não vou conseguir” -, e já estou me sentindo ridículo por pensar e não ir até lá como uma atitude natural de gente grande – Por não poder.
Antes do meio dia, conforme o dia caminha e tudo são apenas olhares, eu vou travando intensas batalhas, e vou perdendo todas elas: As sombras presas á mim gritam cada vez mais alto conforme o sol se levantava, conforme se intensificassem “Não é nada do que você pensa”, “Você está enganado”, “Seu papel de ridículo o está esperando”, “Eu não sei, mas algo me diz que vai dar errado” -, e assim vai durante o resto do dia, e ele acaba de repente, - a não ser que o relógio bata ás dez horas, a não ser que as horas não parem.
Em meus dias, muitos dias acabaram antes do meio dia, e então começou a entardecer de novo.
Batendo ás dez horas, o vento gelado da manhã bate em meu rosto, mas o morno do sol aquece meu corpo quando ela sorri. Então algumas vezes eu vou até ela, e outras vezes ela vêm até mim, e dali até as onze as vozes dos fantasmas vão diminuindo tom até estarem sussurrando – Mas a qualquer momento o tempo pode pular às horas, e o Sol cair queimando como subiu, mais rápido até, e tudo escurecer e o relógio bater à meia noite. - Então talvez o relógio bata ás doze.
Meio dia, e eu não sei o que o vento trouxe, mas ela está ali sorridente falando comigo, me achando interessante – com uma vontade de cuidar guardada, e ela ainda não sabe. Com uma vontade de ser cuidada, que ela sente e não sabe, mas eu ainda não dei um grande passo.
Ás doze do dia eles estavam controlados, e tudo o que eu precisava era não dar um grande passo que deixasse eles a mostra, mas tudo o que eu queria era dar um passo grande. Tudo o que queria era não ter que controlá-los, era não ter que lembrá-los.
Meio dia é a hora certa em que tudo parece verdade, e pode durar muito tempo. Meio dia pode acabar rápido, ou durar eternamente – com tudo o que ela faz e fala, com os fantasmas falando baixo e a voz dela, e o jeito dela sobressaindo sobre eles. Eu quase posso esquecê-los. Eu os esqueço, mas eles nunca se esquecem de mim... Sussurrando...

Conforme eles tentam fazer passar a hora, ela permanece firme mostrando-se interessada, e me chama para sair. – Nisso, a hora não passa.
Conforme eles forçam, comendo minhas palavras, diminuindo meu raciocínio, me fazendo parecer “idiota” para mim – “Bobo”, para ela -, ela se mantém firme em esmagá-los, achando graça de como eu estou bobo, e vendo além de algumas palavras desconexas, me dando tempo.
Então eu fico a vontade, e a hora não passa. O mais tardar até uma hora, e ela não liga àquela sombra, e ela entende, e não sabe. E tudo o que eu fico desejando é esquecer aquela sombra, é que ela nunca conheça, nunca entenda, e nunca precise ter pena de mim – Um desajustado. Traumatizado?  

Ao meio dia eu vejo as sombras delas – as sombras normais de todo ser humano, sem excessos. E o meio dia corre sempre “tudo bem”, com possibilidades para algo mais que pode durar a eternidade – Ou pode terminar ali. Mas ao meio dia, tudo corre “Tudo bem”, e as horas não passam; Enquanto for meio dia, tudo fica bem, tudo é bom e nós estaremos sorrindo. Enquanto for meio dia, ás doze do dia.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Fantasma da Meia Noite, Sombra do Meio Dia. - Parte II – Seis da tarde e meia noite.


Primeiro o relógio bateu ás seis, e eles aparecem apenas com aquelas lembranças gasta para que eu sinta saudade ou tenha alguma fé e esperança.
Todos os dias, assim que o sol se punha, eles soltavam esses filhotes de alguma coisa que aconteceu para que eu os alimentasse e eles tivessem o que comer á noite - mas eu já não tinha nem crença e nem vontade.
Então bateu a meia noite, e eu já estava na cama, vazio e cansado.
- Você tem que querer alguma coisa. – Eles disseram.
Eu disse “Eu não quero nada”.
- Então nós já ganhamos. – Eles disseram.
- Que seja. – Eu disse não me importando. - Passem fome, seus estúpidos, não há mais nada para vocês comerem hoje. – Então eu sentia que havia ganhado.
Então passava um tempo, e eles não se conformavam.
- E você não espera nada? Não crê em nada? – E todos ficaram sem suas respostas.

Os sentimentos vagos eles também comem. A espera desacreditada, a vontade vazia, as quimeras noturnas e as fantasias cientemente desconexas com a realidade – Mas isso deve ter um gosto insosso porque por vezes eles não comem, e sozinhas elas somem.

Eu fechei os olhos e fiquei com o vazio, e o vazio não é como o vácuo. O vazio é vazio e não precisa de nada e não tem nada arrancado.

“Tudo o que você crê eles corroem, tudo o que você possa sentir eles comem, tudo o que você possa querer eles devoram sem a mínima pressa.” E em mim já era tudo em escombros.

Eles são seus medos, suas frustrações, são suas experiências sobre o engano. São seus traumas mais sombrios e suas vergonhas, suas tolices e seus fracassos. São a corrupção da alvorada – São as mentiras que o mundo tem contado e seus enganos subsequentes por ter acreditado, são o individualismo do mundo e sua arrogância.
Qualquer sentimento bom eles comem: Esperança, crença, alegria, vontade, confiança... E enquanto eles devoram sua esperança e arrancam de você a confiança, dissolvem sua alegria para tomá-la como água junto com sua vontade. E enquanto eles dissecam seus pensamentos com percepções distorcidas e sangram teus sonhos com as mentiras e os fracassos passados, o que você sente é dor, uma profunda e insolúvel dor, crônica e aguda - mas ela vai embora assim que eles terminam o banquete e os sentimentos somem, e você se sente aliviado, agradecido por não sentir nada.

Vítima da própria fantasia; Dia após dia, assim que o relógio batia às seis com aquele céu marfim antes de escurecer, eu tinha um pouco de alegria e eles traziam lembranças, e com essa mistura eu sentia saudade.
Então algumas lembranças da alegria que eu senti um dia antes de ontem, misturadas a espera e a forma que o tempo passa, mais um pouco de crença e meia dose de otimismo e outra de esperança compunha uma crença obscura de algo que era apenas a mesma lembrança.
Dia após dia, alimentando as fantasias que o tolo guarda com anseio junto ás visões desesperadas até se tornarem uma mentira, ou um engano suficientemente grande para a meia noite.

Então eles voltavam às doze, e o relógio batia forte, muito forte. Repetidamente como se gritasse ele batia. Á meia noite tudo o que você crê eles corroem, tudo o que você possa sentir eles comem, tudo o que você possa querer eles devoram sem a mínima pressa, e você não pode proteger uma mentira/verdade tão grande da fúria deles - mas não mais, porque eu não tenho nada que eles possam comer agora. E eu me sinto grato por não sentir e poder passar por mais uma noite tranquila.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Fantasma da Meia Noite, Sombra do Meio Dia. / Parte I - Meia noite, Meio dia

Fantasmas se camuflam na neblina correndo pela escuridão em uma noite fria e solitária dentro de mim. Na noite que o mundo nos dá, durante doze horas eles correm soltos pela casa e são apenas os fantasmas que vivem no escuro, velhos conhecidos da minha abstração, e não precisam do frio, do vento ou da chuva. Não precisam que eu esteja sozinho, ou solitário, ou com frio, e são apenas os fantasmas que vivem na penumbra, precisam apenas das sombras que eu mesmo guardo. – E ai de mim se apagar a luz e os der espaço para correrem livremente pela casa, se não houver uma colcha e um travesseiro. Ai de mim se não houver onde eu possa me esconder para aliviar o tormento de suas sugestões de lembranças e vozes de pensamento. Eu queria poder dormir o máximo de tempo quando as luzes se apagam, mas não tenho sono.
Quando a noite se vai e o dia chega, eu quase sempre estou moribundo, com um sono insuportável que não posso segurar, e quase sempre perco o nascer do sol dormindo momentos antes, e mesmo que eu não durma antes, durmo logo depois de ele nascer e é muito pouco tempo para sentir, e quase sempre estou em casa, desarrumado, cansado e com um péssimo aspecto por passar a noite sem dormir.
Eu nem consigo sentir quando as horas passam e o dia está ali posto na janela. Eu nem consigo sentir... e por vezes não posso mais dormir, pois já é tarde e vou passar o dia moribundo.
Por mais doze horas meus fantasmas vão comigo, e são as sombras que me perseguem durante o dia claro, presas a mim, por aonde vou, a cada passo, refletindo de forma quase exata todos os meus movimentos, mas me fazem mais alto ou mais baixo, um pouco mais cheio ou mais fino, e nunca sou eu refletido ali, e sempre sou eu, e não exatamente. Então o relógio da catedral bate meio dia, o sol está no alto, as sombras são pequenas e quase imperceptíveis a quem não está atento, mas estão ali escondidas, e é um momento muito curte de tempo para eu fugir antes que elas possam ser vistas. E é quando você me vê, sem saber que há mais nove horas em que as sombras ficam às claras e eu não posso escondê-las em baixo do meu pé, e mais doze horas em que você não poderá vê-las, mas estarão todas libertas me levando para a noite assim que passar das seis, correndo livremente pela penumbra noturna.
Um simples passo mesmo ao meio dia, e toda aquela sombra estará ali, visível e perceptível, mesmo pequena, e são mais vinte e três horas para você perceber que eu não posso fugir dos fantasmas guardados á sombra que eu carrego...
O convívio sempre me arruinou, a proximidade, a intimidade, o amor; O sentimento é o inimigo que eu amo, meu sonho é sua realidade, mas quando chega hora, o relógio bate às doze, e é meia noite. E então você já estará sentindo que os fantasmas foram libertos, e estará se perguntando o que está acontecendo. Você não poderá vê-los, não poderá tocá-los, não poderá dizer tão certamente por aonde têm andado, mas poderá senti-los correndo no meio de nós enquanto for escuro. E não é tão curto o tempo que corre á meia noite. São mais quatro horas ao menos, sentindo-os sem poder vê-los, sem poder tocá-los enquanto eles sugam de pouco em pouco qualquer coisa boa de você e você sentindo a cada gole que há algo sendo roubado dos teus sonhos. São mais quatro horas ao menos de um pesadelo que você só escapa se fechar os olhos e preferir não sentir, se for para longe e esquecer-se de tudo aquilo o que eles tentam sugar de você.
Quando bate às doze e está escuro, tudo o que você crê eles corroem, tudo o que você possa sentir eles comem, tudo o que você possa querer eles devoram sem a mínima pressa em uma tortura dolorosa, como se fizessem questão de você perceber, para que se desespere enquanto eles te comem.

Correr, fugir, manter distância e esquecer. – É tudo o que se pode pensar para se proteger, mas isso é para mim ou para você? 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Sem um Título.

Poderia se estúpido - Não eu, o título. E não eu, os outros. E então seria “Estúpidos” – O título.

Talvez isso liberte um pouco – Escrever como criança com raiva do mundo; Só porque eu posso – Escrever eu posso. Me comportar como criança com raiva do mundo não funciona mais. Mas é o que eu estou fazendo. Subjetivamente fazendo.

Sabem, nossa mente viaja, e é uma decepção muito grande voltar para casa.
Eu queria estar dormindo. Agora eu queria estar dormindo, mas eu não posso, não tenho sono e não tenho vontade. E eu acordei cedo – Bem cedo, para falar a verdade -, e ainda assim, me atraso.

O legal de uma fantasia é o fato de que ela tem sua possibilidade, mesmo remota, ela tem uma possibilidade. Quando o mundo te nega isso, quando o relógio grita seu nome... Bom, o mundo perde toda graça.
É como a magia dos mágicos. Não é uma mentira, é um truque, uma fantasia.
O mundo visto sem magia é intangível, inelegível, o mundo visto com ciência é acima de tudo complicado. Naquele momento em que ainda não sabemos do truque, naquele momento em que existe a mágica, a fantasia, o mundo é palpável, é simples. Naquele momento em que a fantasia existe o mundo tem graça. E não é uma mentira, é um truque, e mais interessante é não podermos perceber, entender. O interessante é fugir a lógica. – Esses momentos são mágicos.

Sabem, nossa mente viaja. E é uma decepção muito grande voltar à realidade, descobrir a verdade sobre as coisas, não poder sonhar, fantasiar, não poder.
Então eu acendo um cigarro (Para poupar alguém da minha melancolia, para poupar o ouvido alheio de uma palavra obscena, para comer meus sentimentos e não subir em cima da mesa e gritar. - Mas eu esqueci: Elas não gostam do cigarro. Logo eu escuto:
- Aff, você vai fumar? – Ou – Você fuma? – Como se isso dissessem bem o tipo de pessoa podre que eu sou. Como se isso deixasse clara minha fraqueza perante o mundo.
Então eu digo “Foi mal”, e apago - e acho isso um saco.
Eu só queria acender meu cigarro e fumá-lo. Mas eu não posso, nem isso eu posso... Porque eu me importo, com aquela que diz, eu me importo. Isso porque eu preciso das pessoas. Incrivelmente eu preciso, vez ou outra, não estar sozinho.
Por vezes eu não apago o cigarro, e só penso em uma palavra obscena. Não para ela, para o mundo (porque eu não estou me importando, e não com ela, com tudo).
- Meu ônibus. Tchau. – Então eu subo e sento num banco, no assento da janela olhando as pessoas lá fora, pensando.
Ser diferente...  – Quem são os estúpidos que pedem isso?
“Ai, eu queria ser diferente” – Diz a menina, pensando que assim seria notada.
“Eu queria ser diferente” – Deseja o menino, na mesma proporção... E eles desejam de coração, são estúpidos. Não sabem o que, ou do que estão falando.

Desejar ser diferente...
- Só se você for maluco, ou inocente demais, ignorante, burro; - Eles nunca vão te entender, seu bocó. Eles nunca conseguiriam.
Ser diferente causa estranheza, incomodo, desconforto (inclusive nas pessoas que você quer perto de você, nas pessoas que você gosta, nas que gostam de você). E eles não podem te entender; Não podem entender o que você sente em relação à coisas que para eles são tão naturais.
É como a garota que sobe em cima da mesa e grita “Uhow!!”, toda vez que sai em público, tamanho sentimento e expressão de liberdade que sente – por algum cativeiro passado, e ela não pode controlar... E quase me mata de vergonha quando sobe na mesa da praça de alimentação do shopping e faz aquilo em um gesto repentino.
Eu só queria que ela não fizesse esse tipo de coisa. Queria que fosse mais normal, que se encaixasse em alguns padrões, não todos; E eu nunca vou entendê-la. Jamais compreendi esses impulsos que ela tem, de súbito, de sair do meu lado e pular em uma mesa para gritar como se fosse a coisa mais natural do mundo. E depois volta com a face meio amarga e envergonhada, vendo minha estranheza e desconforto á face, minha vergonha, e deve pensar “porque eu não posso ser normal”, desculpando-se nitidamente na expressão de seu rosto e seus olhos, tentando achar alguma palavra para se desculpar enquanto volta para o meu lado esperando que eu ainda a queira ali. E depois disso é mais estranho, porque ela fica triste, meio melancólica, com raiva por te feito aquilo que sabe, me incomoda, e deve sentir um medo incrível pensando quanto tempo eu vou suportar a maneira como ela é.

Estúpidos, não sabem o que é ser diferente, o mal que é.
Eu estava com a cabeça encostada na janela, vendo o vulto das pessoas passando e todas aquelas cenas tão comuns quando o ônibus parava no ponto, pensando no que é ser diferente, ser diferente do mundo que vemos. E isso deve ser igual para todo mundo.
As pessoas que pedem para serem diferentes, na verdade só querem um diferencial, mas querem ser iguais a todo mundo, não diferente de tudo – pedir para ser diferente, invejar isso, é um erro, achar isso bom de alguma forma idiotice, é estupidez.
Pedem erradamente, pedem para serem diferentes – E que raiva que me dá, quando os vejo estúpidos, pedindo algo tão ruim da qual queria poder fugir.
Ser igual, ter um diferencial, era apenas isso, apenas isso. Mas os deuses não interpretam o que falamos. Atendem, simplesmente atendem.
Porque ser diferente é ruim, não tem nada de bom, e não se pode fugir, é você. E você é garota em cima da mesa gritando, causando estranheza e incomodando todo mundo, e não se pode fugir disso, e não te podem compreender; E só te resta ser (diferente), e tentar não se importar, ou fingir não se importar com isso. Será a única coisa que poderá fazer: Fingir não se importar quando importa.

Alexandre Vieira

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

I do not know

I do not know (08/10/2013) / Original em 2007.

Meu jogo perdido você não entende, você não suporta entender.
Eu não sei, acho que ando só, caminho sozinho. Sempre foi assim.
Pensava que não quando estava enganado, acho que falta um pedaço, eu não encaixo.

Todos esperam algo, todos esperam algo de mim. 
Ninguém nunca pensou que eu posso não querer? 
Pessoas estranhas sempre sabem o que fazer. Não são humanas - Isso é o fim.

Eu não falo. Ninguém entende, não há como dizer.
Eu me calo e ninguém entende. Não importa o que eu faça – é o fim.

Uma lagrima: Ninguém sente o que sinto. Uma revolta está acontecendo, as marcas estão em mim.
Uma revolta sem tumultuo, sem barulho. Um castigo silencioso. – Para quem? Para mim?

Não falo, não ouso. Só olho – eu me vejo:
Estou livre e... Andando de mãos atadas. Ouvidos tapados, boca vedada, andando sem pressa em meio ao nada. Uma estrada em branco (cinza claro pelo reflexo do céu escuro) sem nada em um desenho muito simples no meio de um deserto que se mistura ao escuro embaçado do céu misturado ás nuvens. Sem saber onde ir, sem lembrar de onde parti. Eu não escolhi.

Eu ouvi, só ouvi, ou pensei ter ouvido. Não sei o que fazer, nunca soube. 
Raiva, ódio, amor... Sonho, esperança, ilusão - A própria fantasia necessária sobre quem somos...
Para mim têm mesmo peso, destroem com mesma intensidade quando se cai em si.
A vida é uma mentira gigante. As marcas estão em mim, e sempre ninguém vê. – Que seja.

Eu não sei! Eu não sei! Nunca soube! 
Eu ouvi, só ouvi, nem olhei...
A vida é boa, me disseram...
Pessoas estranhas sempre sabem o que fazer.
Pessoas estranhas, sempre sabem o que fazer.

As paredes da minha alma estão todas arranhadas - Eu quis sair por muitas vezes.
Não há mais lagrimas, não há mais cor, não há mais sangue. – Dor? 
Tudo de bom que inalei é veneno! Eu não me encaixo.

Você não vai entender. Caminho sozinho.
Todos esperam algo, todos esperam algo de mim.
Não sei jogar isso, é sem graça, não é igual pra mim e pra você!
Não tente me achar, você vai se perder. Depois que se conhece o inferno não há onde se esconder. Você não o acha, ele acha você.

Eu ando só. Você não vai entender; Eu não escolhi.
Ainda que me veja, não vai entender.
Você pode olhar no fundo dos meus olhos que não vai me achar - Você não vai ver minha alma. Meus olhos vão tão somente refletir, você não me encontrará em mim. 

Um momento? Uma piada? Uma ilusão...
Olhe para minha face, meu sorriso é mera ilusão.
Eu não escolhi.
Pessoas estranhas sempre sabem o que fazer.
Eu não sei, eu não sei, eu não sei!



Alexandre Vieira