Parecia que tocaria uma música
Quando começou a chover
Trovejando.
- Mas nenhum raio.
Eu estava entrando na Floresta
Floresta chamada
“Espelho dos Anjos”.
Vozes me perseguiram
Quando entrei
Imediatamente
Quando entrei
Meu caminhar
Era uma corrida
Antes de eu perceber.
Um hino
Dos céus
Os sons
Do inferno
Correndo atrás de mim
Sob o céu escuro
E galhos folhados
Chovendo suas folhas
Como um outono amaldiçoado
Havia uma clareira
No meio de tudo
Com espelhos
Por todos os lados.
Havia um reflexo
Em cada um dos espelhos
Como se espelhassem
Outra realidade
Diferente da sombra
Onde eu estava
Enevoada;
- Espelho dos Anjos
Floresta das trevas.
Havia um Anjo
Voando sob o céu
Cor de púrpuro;
- E atrás tudo era escuro.
Havia um Anjo
Sentado sob um céu
Rosado de nuvens brancas;
Havia um Anjo
Sentado sobre uma colina
Verde resplandecente;
Havia um Anjo
Deitado sobre a grama
Verde aconchegante;
Então, eu olhava à volta
E não havia nada
Além de reflexos falsos
Tão reais que me faziam querer
Pular em sua imagem
Para sair do lugar
Negro e indecifrável
Escondido nas travas
Que aquela floresta
Abrigava.
Então, atrás de mim
Havia um espelho
Em chamas;
Refletia um céu
Azul bebe
Celestial
Com suas luzes
Douradas;
Dizem
“O espelho do Anjo
Renegado”,
Estava em chamas
Sem um anjo
Em sua imagem.
E todo aquele branco
Aquela luz
Em chamas
Queimando.
E nenhuma chuva
Poderia fazê-lo parar
De queimar
E nenhuma treva
Poderia fazê-lo
Parar de arder.
Havia espelhos
Com imagens de Anjos
De diferentes formas
Refletindo outra face
Daquela floresta
Assustadora
Enevoada
À nevoa da treva.
E no espelho mais lindo
Não havia um Anjo
E ele estava queimando.
Alexandre Vieira
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